Mercado de M&A fica mais seletivo e amplia cobrança por transparência e governança
Com crédito mais seletivo, juros elevados e maior pressão por transparência, operações exigem estrutura financeira mais robusta e gestão de riscos mais rigorosa
Em um ambiente de juros elevados, crédito restritivo e maior volatilidade econômica, empresas brasileiras passaram a enfrentar um novo cenário nas operações de fusões e aquisições (M&A), crescer já não basta. Investidores, bancos e fundos têm ampliado o rigor sobre governança, qualidade das informações financeiras e capacidade de gestão de riscos antes de fechar negócios, o que vem tornando as negociações mais longas, criteriosas e sensíveis a falhas operacionais.
Na avaliação do Grupo BLB, empresa brasileira de auditoria, consultoria e educação executiva com atuação nacional, o movimento já tem levado negócios a antecipar revisões financeiras, reorganizações societárias e diagnósticos tributários antes mesmo de iniciar conversas com investidores ou potenciais compradores.
O cenário acompanha a retomada global do mercado de M&A. Segundo levantamento da Bain & Company, o volume de transações ultrapassou US$ 4,9 trilhões em 2025, alta superior a 40% em relação ao ano anterior e o segundo maior patamar da história. No Brasil, apesar do apetite ainda relevante em setores como agronegócio, tecnologia, infraestrutura e serviços, o mercado passou a conviver com due diligences, processo de investigação detalhada que funciona como um raio-x completo da empresa para identificar riscos, passivos ocultos e validar a consistência das informações financeiras, em um ambiente de maior pressão por transparência e previsibilidade.
“A dinâmica do mercado mudou. Hoje, fundos e investidores olham muito mais para previsibilidade, governança e capacidade de execução do que apenas para crescimento. Fragilidades que antes eram toleradas agora podem travar negociações ou gerar descontos relevantes de valuation”, afirma Rodrigo Barbeti, CEO e sócio-fundador do Grupo BLB.
Segundo o executivo, cresce a demanda por auditoria, due diligence financeira, revisão de passivos e organização societária, especialmente entre empresas que buscam expansão regional, captação de recursos ou entrada de investidores estratégicos.
A nova lógica das operações de M&A
Além dos números financeiros, temas como fluxo de caixa, contingências tributárias, compliance, estrutura societária e integração pós-aquisição passaram a influenciar diretamente o andamento das negociações. Em um mercado mais rigoroso e sensível a riscos, falhas de controle, inconsistências financeiras ou baixa organização operacional podem comprometer valuation, dificultar acesso a crédito e até atrasar ou inviabilizar operações.
“Em muitos casos, o desafio não está no ativo em si, mas na estrutura da empresa para sustentar o crescimento e dar previsibilidade ao investidor. A qualidade da informação passou a influenciar diretamente o valor do negócio e a capacidade de negociação”, diz Barbeti.
O movimento também reflete uma transformação no perfil do middle market brasileiro. Com maior acesso ao mercado de capitais, avanço de fundos regionais e pressão crescente por profissionalização, operações de M&A deixaram de ser exclusividade de grandes companhias e passaram a integrar a estratégia de crescimento de empresas médias em diferentes regiões do país.
“O mercado de M&A deve seguir aquecido em 2026, mas dentro de uma lógica muito mais seletiva. Investidores, bancos e fundos estão mais cautelosos e exigentes. Empresas com governança mais robusta, informações financeiras organizadas e maior capacidade de gestão de riscos tendem a sair na frente tanto na atração de capital quanto na condução das negociações”, conclui o CEO do Grupo BLB.
Sobre o Grupo BLB
Fundado em 2003, em Ribeirão Preto (SP), o Grupo BLB é uma empresa brasileira com atuação nacional. Com escritórios em Ribeirão Preto, São Paulo e Goiânia, a empresa opera em quatro frentes principais: auditoria e consultoria tributária e societária por meio da BLB Auditores e Consultores, braço com mais de 450 clientes presentes em 17 estados, finanças corporativas por meio da vertical BLB Advisor, educação executiva pela BLB Escola de Negócios e inovação por meio da Arara Seed. Com mais de 110 profissionais, o grupo tem como foco a independência técnica, a proximidade com o cliente e a construção de relações de longo prazo, pautadas por rigor, governança, especialização profissional e crescimento sustentável.